INTRODUÇÃO
A oferta de educação a distância em ambientes de aprendizagem
mediados por redes eletrônicas tem-se expandido rapidamente e pode ser uma alternativa de
solução para problemas na formação ou capacitação em serviço, tais como, a
dificuldade de deslocamento para os centros urbanos onde são oferecidos cursos, a falta
de tempo para freqüentá-los e as barreiras para o envolvimento e aproveitamento,
enfrentadas pelos que estudam em uma segunda jornada, após o trabalho. Também pode
estimular o repensar crítico de paradigmas educacionais que vigoram na educação formal
convencional e cuja superação é condição para a sua melhoria. Estas possibilidades
estão vinculadas a mudanças necessárias nas concepções e nos processos de
ensino-aprendizagem.
Estudos têm mostrado que o ciclo de assimilação de tecnologia em
educação pode ser descrito como de um passo adiante para a tecnologia e dois passos
atrás para pedagogia. Referenciais conceituais ou teóricos sistemáticos e claros
constituem ainda uma lacuna ou encontra-se uma grande variedade de orientações e
noções teóricas desenvolvidas em diferentes disciplinas científicas e que são
articuladas em abordagens multi ou interdisciplinares aplicadas ao ensino-aprendizagem
on-line, nem sempre de forma coerente do ponto de vista epistemológico.
"Pedagogia", "novo modelo pedagógico", "estilo do
professor", "perfil do professor on-line", têm sido tratados como
contraponto à tecnologia, de forma prescritiva e não como conceitos construídos por
pesquisa.
A compreensão dos conteúdos, padrões e fatores da comunicação, da
interação e do discurso de aprendizagem on-line, cooperativa / colaborativa em
comunidade de aprendizagem e de prática pode resgatar o educador e seu papel bem como
elucidar a sua formação-ação em EaD. Podem contribuir para isto a meta-análise de
pesquisas da EAD e da aprendizagem on-line bem como a discussão de estudos de casos em
termos de objetivos, fundamentos e de possíveis resultados de cursos desenvolvidos.
Com este sentido, apresenta-se o estudo de caso do curso
"Iniciação à Aprendizagem On-line - IAO", parte do Projeto "Capacitação de docentes
de ensino superior quanto à relação entre ensino, pesquisa e avaliação via
aplicações de Internet", que integra o Consórcio-BH2, apoiado pelo
Protem-CNPq-RNP, em sua atividade de ensino a distância. (PROJETO BH2-EAD-CAP; COELHO,
1999a).
O Curso IAO visa possibilitar experiências de discussão de
referenciais teóricos e técnicos e de uso adequado de estratégias de comunicação, de
colaboração e de pesquisa em redes eletronicas, com vistas a apoiar a promoção de
ensino-aprendizagem a distância, mediada por conteúdos on line. Portanto, sua
realização pode contribuir para mudar a forma de aprender e de ensinar de seus
participantes. (COELHO, 2000a)
Este estudo de caso tem como objetivo analisar conteúdos, padrões e
fatores da comunicação, da interação e do discurso e prática de aprendizagem on-line,
cooperativa/colaborativa em comunidade de aprendizagem e de prática bem como esclarecer
como planejar, desenvolver e avaliar ambiente virtual de aprendizagem para apoiar esta
aprendizagem de tal maneira a produzir significados, compreensão e ação crítica, e em
que se possa exercer a aprendizagem de cooperação e de autonomia, assegurando-se a
centralidade do indivíduo na construção do conhecimento e possibilitando resultados de
ordem cognitiva, afetiva e de ação. Analisa-se a consistência de interface de
protótipo do ambiente, adequação de linguagem, flexibilidade, interatividade com
usuários, funcionamento do curso e a aplicação do referencial teórico.
A metodologia de estudo de caso é aplicada com abordagem de
desenvolvimento (referencial teórico, design, desenvolvimento e avaliação de um
protótipo do ambiente do curso on-line) combinada à abordagem etnometodológica, de
análise textual e do discurso, em estudo piloto (análise de execução do curso e
avaliação).
A pesquisa é parte da formação de equipe de docentes, pela vivência
e pela reflexão crítica acerca das mudanças que as tecnologias telemáticas trazem à
comunicação, à interação e à organização do processo ensino-aprendizagem on-line.
A partir daí, acontece o planejamento da capacitação de docentes de ensino superior
quanto à relação entre ensino, pesquisa e avaliação via aplicações de Internet
buscando criar, na própria rede, um espaço de encontro educacional, considerando como
seus diferentes aspectos - "exposição, exploração, desafio, avaliação e
motivação" - são articulados com o uso de diferentes tecnologias. (SCHWARTZ, 1999)
A perspectiva assumida é a de formação-ação, ou seja, a de que a
formação está e acontece na ação perpassada pelo processo de reflexão crítica que
ocorre antes, durante a após a ação, no sentido em que SCHON (1987) descreve o
pensar-em-ação como prática reflexiva. Portanto, é necessário que, tanto os membros
da equipe, como os docentes a serem envolvidos no projeto, vivenciem situações nas quais
sejam analisadas, de forma compartilhada, as práticas de cada um e dos outros, e que
estas sejam relacionadas com fundamentos teóricos, sendo todos participantes de
reflexões conjuntas, de discussões de diferentes perspectivas, revisitando e revendo seu
trabalho, trocando e construindo colaborativamente orientações e meios para aperfeiçoar
a prática. (SCHON, 1983, 1987). Ou seja, a idéia é de construir uma comunidade de
prática, em que se assume postura problematizadora e se articulam interesses e objetivos
comuns, as ações, o diálogo, o discurso reflexivo e a colaboração, criando
significados com implicações para o aprender e o ensinar.
FORMULAÇÃO DE UM REFERENCIAL TEÓRICO COMO FUNDAMENTO E ORIENTAÇÃO
PARA O DESIGN, DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DO CURSO ON-LINE IAO
O planejamento do curso foi norteado pelos pressupostos de que a
aprendizagem é fundamentalmente uma experiência social, de interação pela linguagem e
pela ação , conforme propôs VYGOTSKY (1974,1984). O indíviduo atua efetivamente, como
agente ativo de seu próprio conhecimento, ou seja, constrói significados e define o
sentido e a representação da realidade de acordo com as suas experiências e vivências
em diferentes contextos de interação com outras pessoas. Isto implica que a interação
propicie uma comunidade de aprendizagem, de discurso e de prática de tal maneira a
produzir significados, compreensão e ação crítica, que se possa exercer a aprendizagem
de cooperação e de autonomia, assegurando-se a centralidade do indivíduo na
construção do conhecimento e possibilitando resultados de ordem cognitiva, afetiva e de
ação. (COELHO, 1998a, 1998b, 1999a, 1999b, 2000b)
São básicos no referencial, os conceitos de níveis no
desenvolvimento do ser humano, o social e o individual, ou seja, o interpessoal e o
intrapessoal, bem como o de "zona de desenvolvimento proximal" como espaço
entre o nível real (solução independente de problemas) e o nível potencial (solução
de problemas com orientação ou em colaboração). Outro conceito importante é o que
indica como o adulto implementa processos de suporte que se estabelecem através da
comunicação e que funcionam como apoio ou "andaimação" para o aluno na
realização de uma tarefa complexa que ele, por si só, seria incapaz de realizar, mas
que, com o apoio da orientação, consegue realizar. (BRUNER, 1983)
A linguagem humana, além de ser meio para representar conhecimentos
socialmente construídos, tem também o papel vital na mediação de ações, na
negociação de objetivos e na coordenação de meios a serem usados para alcançá-lo. O
discurso na versão interiorizada ou "fala interior" tem o sentido de propiciar
pensamento e ações individuais no âmbito de atividades compartilhadas.
(VYGOTSKY,1974,1984) Cognição e aprendizagem são fundamentalmente situadas,
contextualizadas social e físicamente e ensinar é algo significativamente diferente, em
diferentes contextos e para diferentes pessoas. (BROWN,COLLINS,DUGUID,1989)
A concepção de comunidade de aprendizagem emerge da articulação de
todas estas noções. Comunidades são construidas por pessoas, e no cerne de todas as
relações e práticas sociais está a comunicação humana de uma forma ou outra. As
conversações são processos sociais complexos e poderosos que envolvem silêncio tanto
quanto mensagens, conhecer tanto quanto informar e os interlocutores centrais tanto quanto
aqueles que participam periféricamente. (COELHO, 1999b,2000b, 2000c)
A importância de conversação para uma comunidade de prática está
fundamentada por uma idéia do saber como investigação que substitui a noção de
conhecimento fechado, essencialmente objetivo. É através da rede de linguagem e da
conversação que as pessoas conhecem ou elaboram conhecimento, como "jogos de
linguagem" segundo WITTGENSTEIN (1968), ou em "comunidade de
interpretação" que, pela conversação, alcança consenso, ou seja, uma
compreensão, conforme FISH (1984), ou ainda, na "ação comunicativa", pelo
diálogo e por processos metacognitivos promovem emancipação, conforme teoria de
HABERMAS (1971,1984).
Tais princípios foram aprofundados com base na perspectiva crítica de
HABERMAS (1971,1984,1990) que contribui para esclarecer os caminhos da relação entre
racionalidade comunicativa e emancipação - base da concepção de comunidade de
aprendizagem que orienta o processo de planejamento e de desenvolvimento do curso IAO. A
idéia básica é a de que o processo de comunicação só pode se realizar plenamente
numa sociedade emancipada que propicie as condições para que seus membros atinjam a
maturidade, criando possibilidades para desenvolver a subjetividade na reciprocidade e na
perspectiva de um verdadeiro consenso abertas pela possibilidade do diálogo e da
situação ideal de discurso. A intersubjetividade compartilhada é a base do diálogo
voltado para o entendimento livre de coações. (COELHO, 1999b, 2000b)
Na interação confluem as concepções comuns aos participantes, o
"mundo vivido", e a ação comunicativa que possibilita o entendimento,
esclarecimentos e consenso, através do diálogo e da ação cooperativa. Isto é o que
HABERMAS(1984) considera "situação ideal do discurso", com simetria de escolha
e de realização de atos de fala entre as pessoas e pelo diálogo., e que pode
fundamentar um novo estilo de mediação pedagógica on-line.(COELHO, 2000b)
Com tal fundamento, buscou-se planejar e desenvolver o curso IAO de
forma que fossem eliminadas todas as formas de coerção, com uma (re) definição
conjunta de regras que permitissem todos dialogarem, que apóiassem a força dos bons
argumentos e a aprendizagem colaborativa. Portanto, o delineamento estaria aberto a
desafios, preparado para propiciar condições favoráveis ao diálogo e à negociação
de significados, para fornecer base às afirmações, para construir consenso bem
fundamentado sem unificação de idéias e de opiniões, para desenvolver a reflexão
crítica e a metacognição como forma de emancipação.
Considerando estes princípios, o ambiente de aprendizagem do IAO foi
projetado para estimular e possibilitar interatividade, apresentar diferentes graus de
complexidade dispostos em módulos e promover a cooperação entre os atores participantes
do processo de aprendizagem, sejam eles professores/tutores ou alunos/aprendizes, todos
co-autores do conhecimento. Como o curso se insere em capacitação de profissionais
adultos, foi assumida a perspectiva de formação-ação, com formação acontecendo na
ação e no processo de reflexão crítica que acontece antes, durante e após sua
ocorrência.
Interação, moderação, conversação, diálogo e construção da
comunidade de aprendizagem como dimensões da comunicação mediada por computador (CMC)
foram analisadas nos estudos da área e situadas no campo do "discurso
educacional", da "análise da conversação", da "atividade
discursiva" e da aprendizagem colaborativa ( SHERRY et al., 1999, SHERRY, 1998),
identificando-se princípios norteadores para o planejamento dos conteúdos e atividades,
para a orientação de aprendizagem e a monitoração das atividades do curso bem como a
sua avaliação. Comunicação, colaboração e pesquisa são os elementos principais no
planejamento de forma a possibilitar a formação de comunidade de prática e de
aprendizagem. (COELHO, 1998, 1999b, 2000b)
Referenciais acerca de ambientes interativos de aprendizagem por WWW,
objeto de pesquisa anterior (COELHO,1997,1998a) foram atualizados por contribuições como
a de CUNNINGHAM et al. (1993) que definem algumas finalidades de um ambiente
construtivista de aprendizagem a distância a partir dos princípios teóricos desse
enfoque: (i) possibilitar ao participante a decisão sobre tópicos e subtópicos do
domínio a serem explorados, além dos métodos de estudo e das estratégias para a
solução de problemas; (ii) oferecer múltiplas representações dos fenômenos e
problemas estudados, possibilitando que o participantes avaliem soluções alternativas e
testem suas decisões, (iii) envolver a aprendizagem em contextos realistas e relevantes,
isto é, mais autênticos em relação às tarefas da aprendizagem; (iv) colocar o
professor/tutor no papel de um consultor que auxilia os participantes a organizarem seus
objetivos e caminhos na aprendizagem; (v) envolver a aprendizagem em experiências sociais
que reflitam a colaboração entre professores-alunos e alunos-alunos; e (vi) encorajar a
meta-aprendizagem.
A partir de JONASSEN (1996), aprendizagem significativa será
possibilitada por um ambiente de aprendizagem construtivista, que: (i) resulte de
experiências genuínas; (ii) resulte de integração de novas idéias dos alunos a seu
conhecimento anterior; (iii) resulte de reflexão e análise das experiências dos alunos;
(iv) resulte de um trabalho colaborativo entre alunos; (v) resulte de um objetivo, uma
intenção do estudante; (vi) resulte da resolução de problemas do mundo real, portanto
complexos, irregulares e sem uma única solução; (vii) resulte de uma atividade no mundo
real significativo ou simulada em algum caso ou problema em vez de modelos abstratos;
(viii) resulte de uma atividade coloquial mediante a conexão de alunos através da cidade
ou através do mundo.
Já WILSON (1996) classifica como ambientes mais ricos e compatíveis
com a aprendizagem construtivista aqueles que colocam o aluno no controle do processo de
aprendizagem e que, para tanto possuem elementos como kits para construção e exemplos de
fenômenos a serem estudados.
A partir dos estudos realizados, foram definidos alguns elementos a
serem assegurados nas conversações e atividades cooperativas: objetivo claro,
estabelecimento de laços entre alunos e professor, orientações criadas e publicadas
para as conversações, condições para que o processo de pensamento seja articulado,
perspectivas múltiplas valorizadas enquanto se resolve conflitos, propósito claro e
estabelecido pelos estudantes de criar algo em comum, comentários de apoio e de
aprovação para ampliar as conversações, interação de forma mais complexa que a
simples pergunta-resposta, uso efetivo de software de conferência.
Buscando concretizar tais princípios, foram planejadas estratégias de
aprendizagem com estudo autônomo e elaboração própria pelo aprendiz, previstos para
realização em local e no momento mais adequados para cada aprendiz, e articulados com
interação, conversação e colaboração, viabilizadas pelo Grupo de Discussão, por
Lista de Discussão via e-mail, por Grupos de Interesses Temáticos, por Chat agendado e
por troca de correspondência por E-mail.
Uma possibilidade a considerar no design de cursos on-line e na
moderação em CMC é examinar a distância de uma nova forma, considerando a distância
transacional entre professor e estudantes. ( MOORE, 1993; MOORE & KEARSLEY,1996). Mais
do que uma distância física, a distância transacional é uma função de variáveis de
estrutura e de diálogo. A estrutura refere-se ao desenvolvimento e adaptação dos
objetivos, das estratégias de ensino e dos processos de avaliação aos objetivos dos
aprendizes. O diálogo refere-se ao fluxo de comunicação entre professor e aprendiz
(es).
Esta teoria da distância transacional focaliza como a estrutura de um
curso afeta o fluxo de comunicação entre professor e estudantes. O cuidado em criar uma
estrutura de curso flexível e em encorajar um fluxo livre de comunicação mediada por
qualquer meio pode diminuir esta distância. Como se nota, este conceito se aplica a salas
de aula virtuais ou não.
A comprensão acerca da distância transacional entre professor e
estudantes, como uma função de variáveis de estrutura e de diálogo orientou a
formulação de algumas diretrizes práticas para a promoção de comunicação e de
colaboração via Grupo de Discussão, destacando-se as principais: promover a
apresentação pessoal de alunos ("quebrar o gelo"), planejar perguntas que
especificamente provoquem a discussão sobre o tópico, recolocar questionamento, com
outras palavras, quando a conversação estiver indo em outra direção, comentar e
sugerir vínculos entre mensagens dos alunos convidando para discussão, fornecer linhas
de orientação para ajudar os aprendizes a preparar respostas sobre o tópico, apresentar
sínteses periódicas para orientar a continuidade da conversação.
DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DO AMBIENTE COM BASE NO REFERENCIAL
TEÓRICO E QUE UTILIZA UM SOFTWARE GERENCIADOR DE CURSOS NA INTERNET
A utilização do gerenciador de cursos na Internet-AulaNet-( PUC-RJ,
1997) se deu em função de sua disponibilidade gratuíta
(http://guiaaulanet.eduweb.com.br) e da parceria com o GEPEAD-FEPESMIG-UEMG,
possibilitando sua aplicação no site ( http://www.aulanet.fepesmig.br .
Foi possível viabilizar a proposta considerando o referencial
teórico, de modo a permitir o uso de recursos de comunicação como forum de discussão,
faq, chat, grupos de interesse e e-mail. Toda a estrutura do ambiente com seus objetos de
navegação, conteúdos, links para outros sites, hipertextos, etc. foi programada em uma
linguagem para a Web, pela seleção e uso dos mecanismos previstos no gerenciador:
mecanismos de comunicação, mecanismos de cooperação e mecanismos de coordenação. O
software gerenciador também facilitou a administração do curso já que os aprendizes e
e professores podem, através de qualquer terminal de computador ligado à rede, ter
acesso ao protótipo do ambiente, às atividades propostas e realizadas.
O protótipo do ambiente de aprendizagem foi desenvolvido em um site no
qual se encontra um conjunto de páginas que procura possibilitar a formação de uma
comunidade de aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento de projeto de trabalho em
sistemas interativos. ( http://www.aulanet.fepesmig.br
)

Na primeira página, o estudante tem acesso a um texto que apresenta o
curso, suas finalidades, concepção pedagógica e uma idéia geral de como são as
atividades que o aluno desenvolverá e quais são os principais elementos do curso. Nessa
página o aluno pode se inscrever no curso passando a ter acesso autorizado por senha. A
página do protótipo onde o aluno inicia o trabalho, depois de matriculado, é acessada
pelo espaço indicado como "aulas".
Pela ferramenta indicada como "aulas" inicia-se com uma carta
de apresentação da professora /tutora seguindo-se o plano de curso sendo este completado
pelo plano de cada módulo. Conforme previa o plano de curso, cada módulo seria publicado
e liberado para acesso na data prevista para seu início. Esta estratégia buscaria manter
os aprendizes focalizados no conteúdo do módulo, cooperando em atividades conjuntas e
coordenadas. Supunha-se que, caso todos os módulos fossem apresentados ao mesmo tempo o
grupo poderia se dispersar em atividades muito diferenciadas e paralelas e não
desenvolver a aprendizagem colaborativa.

O conteúdo foi organizado em quatro módulos temáticos, divididos
cronologicamente em cinco semanas:
Módulo I - ( Primeira semana)- Ambientação virtual,
Módulo II - (Segunda semana)-Comunicação, colaboração e pesquisa
para aprendizagem on line,
Módulo III -(Terceira semana)-Comunidade de Aprendizagem e Projeto de
Trabalho,
Módulo IV - (Quarta semana)-Projetos de Trabalho
Módulo IV-(Quinta semana)-Continuidade de Projetos de Trabalho.
A organização e apresentação de cada módulo foi feita com os
seguintes elementos: 1. Objetivos e atividades de aprendizagem; 2. Estudo autônomo e
elaboração própria - atividades no local e no momento mais adequados para cada
aprendiz; 3. Interação, conversação e colaboração - atividades pelo Grupo de
Discussão, por Lista de Discussão via e-mail, por E-mail e por Chat ( conversa on line)
a ser agendado; 4. Auto-avaliação; 5. Tutoria: como resolver dúvidas?;6. Bibliografia
Básica.
O conteúdo dos módulos foi produzido em HTML, utilizando técnicas de
redação próprias para EAD, fortemente marcadas pelo diálogo, com característica
hipertextual e links que remetem o leitor para sites externos onde complementam a
informação disponibilizada. Todos os conteúdos foram gravados também na área de
download para que fossem requisitados e arquivados no equipamento dos participantes,
visando diminuir o tempo de conexão à Internet. A ferramenta Bibliografia foi utilizada
para oferecer referencial e leituras adicionais aos participantes.
A auto-avaliação foi o sistema adotado, com o participante sendo
orientado a elaborar e enviar à tutoria um texto contendo uma síntese das atividades
realizadas no módulo com uma apreciação de sua participação. O aprendiz realizaria
assim um esforço de metacognição, ou seja, de identificação e análise de seus
próprios processos de conhecer, de aprender. Como critério adicional de avaliação,
foram consideradas as interações no ambiente de aprendizagem e as participações nas
sessões de Chat, no Grupo de Discussão e no Grupo de Interesse.
A tutoria, orientação específica para resolução de dúvidas e de
dificuldades de aprendizagem, ficou a cargo da professora responsável pelo curso, e
ficaram disponibilizados: um e-mail e um telefone em horários pré-definidos.
Os módulos foram preparados de forma a orientar e coordenar ações de
pesquisa por informação na Internet, aquisição de conceitos, fundamentação teórica
e sua utilização como pré-requisitos importantes para a participação nas diversas
atividades de interação programadas. Em lugar de mera leitura de textos e de discussão
sobre o que é aprender com recursos da Internet, estes eram utilizados e aprendia-se
usando-os. Foram previstas leituras de conteúdos da World Wide Web (Internet) e
comunicação, discussão e colaboração pela lista de discussão, por grupos de
interesse e por Chat agendado, bem como elaboração de projetos de trabalho.
O design adotado e a opção por um modelo que privilegia a
cooperação determinaram: a adoção de tarefas para promover a cooperação, a
coordenação de atividades em tempo de execução do curso, o incentivo à tomada de
decisão pelos aprendizes quanto ao andamento das atividades, a criação de formas de
representação dos conhecimentos do grupo, o compartilhamento do conhecimento produzido
em uma base de dados acessível a todos.
EXECUÇÃO DO CURSO IAO
O curso IAO foi oferecido gratuitamente e teve início no dia 10 de
maio de 2000, com 30 alunos de vários estados do Brasil, selecionados dentre 110
inscritos no sistema, durante três semanas após o anúncio em listas de discussão e nas
unidades da UEMG pela professora responsável e tutora do curso. Foram selecionados
professores de unidades agregadas à UEMG; professores com área de atuação ou pesquisa
em Educação a Distância( Projetos CNPq) e alunos de programas de mestrado ou doutorado
ligados à EAD. Na programação inicial, o término do curso estava previsto para
14/06/00 mas, pela dinâmica dos trabalhos e pela participação dos aprendizes, se
estendeu até 04/07/00. Portanto, de cinco semanas passou a ter, praticamente,oito
semanas.
Para iniciar as atividades, o servidor SMTP da FEPESMIG-UEMG, que é
gerenciado pela ferramenta Grupo de Discussão do AulaNet, foi alimentado com o e-mail de
todos os matriculados e professores colaboradores. Um e-mail inicial de boas vindas, foi
enviado pela professora responsável para a lista com as instruções iniciais para o
módulo 1. Em virtude de o Curso IAO ser planejado com estratégia de cooperação, foi
necessário que todos os aprendizes começassem juntos as atividades.
De acordo com o referencial e princípios já analisados e conforme o
planejado, a primeira atividade proposta para o grupo foi uma apresentação pessoal na
ferramenta Grupo de Discussão (GD). Esta atividade, destacada no Módulo I - (Primeira
semana)- Ambientação virtual, foi realizada durante a primeira semana do IAO por 25 dos
30 participantes. Após contato com os que não tinham ainda se apresentado, constatou-se
que, devido a problemas técnicos, três aprendizes não conseguiram acesso ao ambiente
virtual de aprendizagem e dois não conseguiram utilizar a ferramenta de comunicação do
Grupo de Discussão. Com as orientações,ao final do curso apenas um participante não
havia conseguido completar a primeira das atividades de interação.

A utilização da ferramenta Grupo de Discussão (GD) foi mais intensa
nos dois primeiros módulos (Módulo I - ( Primeira semana)- Ambientação virtual,
Módulo II - (Segunda semana)-Comunicação, colaboração e pesquisa para aprendizagem on
line) porque seu uso foi estimulado através das atividades propostas. Em meio ao Módulo
II, foram criados os Grupos de Interesses Temáticos (GI) , tendo a conversação passado
a ser feita também naqueles espaços. Houve apenas uma interrupção inesperada no GD
pois a ferramenta Grupo de Discussão, que além de publicar mensagens na Web envia cópia
delas pelo servidor de listas, parou de encaminhar mensagens para os endereços de e-mail
dos participantes no dia 30/05/00, tendo sido reativada em 31/5/00.
No período planejado 20 primeiros dias do curso -, foram
trocadas 48 mensagens entre os alunos enquanto a tutoria enviou 15. Somando-se a esse
total as 25 mensagens de apresentação temos 88 mensagens em 20 dias 4,4
mensagens/dia. Em 50 dias de operação, no conjunto, a ferramenta gerou 124 mensagens
enviadas à 34 participantes, com um tráfego de 4.216 mensagens. Destaca-se a
participação ativa da tutoria, que enviou em média uma mensagem por dia. Este foi um
fator de estímulo importante para o grupo.

Considerando-se as respostas apresentadas por onze aprendizes ao
questionário de avaliação, nota-se que os aprendizes julgaram a análise de dúvidas,
idéias, sugestões pelo Grupo de Discussão como elemento do curso muito importante para
alcance dos objetivos. Foram avaliados com grau"ótimo" os aspectos doGD -
"grau de facilidade de acesso e "grau de facilidade de utilização"- e
como "muito bom", "atendimento do objetivo como ferramenta
pedagógica". Ao avaliarem seu próprio envolvimento no curso, os aprendizes,
considerando a disposição para comunicar-se pelo GD atribuem-lhe grau "ótimo"
mas em relação à participação dos alunos, o grau atribuido é "muito bom ".
Um depoimento de aprendiz do curso mostra a contribuição do Grupo de
Discussão:
"Algumas reflexões dos colegas de curso foram pertinentes p/
que eu desenvolvesse minhas próprias observações e até sugerisse um tema p/ um grupo
de interesse, pois como temos analisado até aqui os prós e contras de uma aula virtual e
comparando-a c/ o ensino tradicionalmente presencial, cheguei à conclusão de que a
linguagem utilizada na rede cria uma forma de relações interpessoais totalmente
inédito, mas condizente c/ a época em que vivemos. O uso dos emoticons, por ex. indica
uma necessidade clara de termos que "olhar"a expressão do interlocutor ( por
fisionomia ou voz)."(sic)
Outro depoímento aponta aspectos positivos do curso IAO para a
formação de comunidade de aprendizagem e dificuldades quanto ao tempo disponível:
"O ambiente aulanet tem servido muito bem para o propósito
deste curso, ou seja, fomentar uma aprendizagem on-line sobre a formação de uma
comunidade virtual de aprendizado via web. O grande repositório de textos literários, a
capacidade de interação via e-mail e chat, a formação de grupos temáticos, tudo isto
contribui para esta formação. O meu grande problema de acompanhamento se verificou
quanto a grande quantidade de e-mails postados, e o grande volume de trabalho que aumentou
de forma exponencial. Devido ao meu encargo de [...], tenho tido muita dificuldade em me
programar.Vou ficar por aqui, pois vou tentar participar do chat de EAD."(sic)
A partir do módulo 2 foram realizadas quatro sessões de Chat no
IAO. A primeira foi um piloto para avaliar o protótipo desenvolvido e as seguintes partes
integrantes da programação do curso. A ferramenta Chat foi preparada para gravar o
conteúdo dos diálogos de forma a permitir aos que não puderam participar ter acesso às
informações geradas. O conteúdo das sessões de Chat foi disponibilizado na ferramenta
Download. Esta rotina mostrou-se importante para complementar o processo de interação e
socialização do conhecimento produzido.


No Chat de 20/06/00 ocorreu um problema devido a falhas no servidor de
banco de dados utilizado e a sessão foi finalizada antes do tempo previsto. Observa-se
nos depoímentos de aprendizes como isto foi compreendido e avaliação quanto às
providências tomadas para sanar o problema:
1."Considero importante colocar que os problemas ocorridos no
chat de modo nenhum causaram transtornos graves ao andamento do Curso. Sua presteza em
apresentar uma explicacao somente demonstra a seriedade da equipe do Curso. De minha
parte..... nao se preocupe, ok?" (sic)
2."O segredo de driblar as incertezas, está na boa atuacao do
moderador, no nosso caso, moderadora, que nao desanima nunca e mantem o espirito do grupo
sempre elevado. Parabens e e so marca que estaremos la."(sic)
3."Muito obrigada pelo Flash do último chat."(sic)
4."Infelizmente estarei em sala de aula no horário do chat, mas
gostaria muito de poder participar. Em todo o caso, estarei lendo suas sugestões e
opinando o mais rápido possível. Um abraço."(sic)
A análise dos diálogos ocorridos nos Chats demonstra que esta forma
de comunicação síncrona é importante para as atividades de cooperação,
complementando o Grupo de Discussão e o Grupo de Interesse. Nas sessões ocorridas
surgiram propostas para projetos, foram realizadas críticas e apresentadas sugestões.
De forma geral, os participantes consideram o Chat no formato adotado
comunicação textual - pouco produtivo quanto à velocidade e de uso incômodo
quando o número de participantes ativos aqueles que estão enviando mensagens para
o Chat aumenta. O sentido de desorientação foi acentuado pela forma de
apresentação dos textos no browser cronologicamente à medida que eram enviados
pelos participantes para aqueles que não possuíam intimidade na utilização
deste tipo de ferramenta de comunicação. A iniciação neste tipo de comunicação se
revelou muito importante para todos, professora e aprendizes.
Nota-se, também, na análise dos diálogos dos Chats realizados, a
importância da participação da tutoria na organização e direcionamento dos trabalhos,
evitando conversas paralelas e dispersão de interesses. Das 382 mensagens emitidas nos
Chats, 129 33% delas foi escrita pela professora responsável pelo curso.
Considerando-se as respostas apresentadas por onze aprendizes ao
questionário de avaliação, nota-se quanto ao item "grau de facilidade de
utilização" que os aprendizes encontraram alguma dificuldade na utilização do
serviço de Chat. Mesmo tendo sido divulgado pelo Grupo de Discussão, pela Agenda e pelo
espaço Notícias do Curso, alguns aprendizes não tinham informações sobre como acessar
o Chat em sua primeira sessão, como revelam os conteúdos de e-mail para tutoria no
momento de iniciar o Chat:
1."Estou online sem saber como entrar no chat. É possível
contar-me como?"(sic)
2."Título: Chat: where are you Ola.. Perdoe-me a ignorancia da
pergunta. Qual eh o espaco do ambiente destinado ao chat? Eh no Grupo de discussao?"
(sic)
3."Ola !!!Acabei de me sentar ao computador para participar do
CHAT. Por favor me envie os procedimentos.Desculpa-me solicitar isto de última hora. Qual
o endereço do Chat? Obrigado."(sic)
Nas avaliações de atendimento do chat ao objetivo como serviço de
apoio e como ferramenta pedagógica e quanto ao grau de facilidade de acesso, há uma
classificação muito boa. Ao avaliarem seu próprio envolvimento no curso, os aprendizes
, considerando a disposição para comunicar-se pelo chat, julgam-na "boa", o
mesmo ocorrendo em relação à participação dos alunos durante o chat. Nesta
avaliação do Chat, observa-se a maior variação dos resultados no que se refere ao grau
de facilidade de acesso e ao grau de facilidade de utilização. Diferentes motivos
constam de e-mails enviados à tutoria, como por exemplo, de configuração de equipamento
pessoal e de administração de tempo:
1."Muito obrigada pela calorosa recepção no chat. Nem tive
oportunidade de lhe agradecer nele e nem de teclar com o grupo. Não sei o que está
havendo... (já me comuniquei por telefone com o ...) em minha tela não aparecem os
botões e, ainda por cima, ela fica congelada.Assim, fico impedida não só de me
comunicar com vocês mas de ler as mensagens trocadas...O... acaba de me ligar para dizer
que devo estar com problemas em meu programa (Netscape)... Espero poder participar em
outra oportunidade".(sic, com nome de colega omitido na transcrição)
2."Venho demonstrar minha tristeza em ter perdido o chat, não
foi possivel me informar a tempo, mas estarei firme no proximo..."(sic)
Os módulos 3 e 4 aprofundaram a necessidade de cooperação entre os
participantes com propostas direcionadas para a formação de grupos de interesses
temáticos e apresentação de projetos de trabalho, conforme estava planejado nos
Módulos III - Comunidade de Aprendizagem e Projeto de Trabalho- e Módulo IV - Projetos
de Trabalho do curso IAO. Para viabilizar esta estratégia pedagógica foi utilizada a
ferramenta Grupos de Interesses Temáticos do AulaNet. Ela funciona como um NewsGroup
baseado em Web.

A participação foi por adesão aos assuntos livremente sugeridos nas
sessões de Chat e em atividade programada para o Modulo III, que consistia na
participação no grupo de interesse criado pela tutoria chamado "Grupo de abertura:
propostas de temas". A estratégia mostrou-se eficiente pois os participantes que
não tinham intimidade no uso desse recurso de comunicação ou não haviam participado
das sessões de Chat se familiarizaram com os projetos propostos e puderam experimentar o
funcionamento do Grupo de Interesse.Como resultado foram gerados 2 grupos: Design
Instrucional de Curso a Distância (criado em 23/05/00 com 4 adesões); EAD de línguas e
a linguagem usada na WEB (criado em 24/05/00 com 4 adesões). Após as adesões iniciais,
os outros participantes do curso IAO passaram a interagir em um dos grupos formados.
A formação de Grupos de Interesses Temáticos (GI), conforme a
avaliação de onze aprendizes, foi razoável/boa para o alcance dos objetivos.
Destacam-se os aspectos do GI: "grau de facilidade de acesso e "grau de
facilidade de utilização" e "atendimento do objetivo como ferramenta
pedagógica"avaliados como "ótimos". Ao avaliarem seu próprio
envolvimento no curso, os aprendizes, considerando a disposição para comunicar-se pelo
GI, julgam-na "muito boa"e em relação à participação dos alunos, a
classificação é de "boa". Uma possível razão para esta participação pode
estar no tipo de ferramenta que funciona como um NewsGroup baseado em Web e que demanda
conexão para envio e leitura de mensagens. No contexto do curso, como o tempo dos
aprendizes era limitado, este fator é muito importante.

AVALIAÇÃO E PROMOÇÃO DE MODIFICAÇÕES PARA QUE O CURSO IAO SEJA
DISPONIBILIZADO PARA GRUPOS MAIORES DE EDUCADORES E PROFISSIONAIS.
Encerradas as atividades do curso e analisadas as auto-avaliações,
constatou-se que 16 dos 30 matriculados inicialmente cumpriram todas as tarefas e
concluíram o curso IAO. Somente 4 dos matriculados realmente abandonaram o curso. Os 10
participantes que não cumpriram todas as atividades, envolveram-se, de forma
diferenciada, em todas as atividades previstas, como se constatou pela análise dos logs e
e-mails. Isto parece estar ligado aos diferentes motivos ou interesses que tinham para
participar do experimento.
Um formulário de avaliação ( escala tipo Likert) foi enviado para
todos os participantes e respondido por 11 aprendizes. Considerando as avaliações acerca
de objetivos alcançados no Curso IAO, pode se concluir que os objetivos foram apreciados
como atingidos (grau "ótimo"), excetuando-se apenas um dos objetivos listados -
3. Neste Curso, foi possível desenvolver habilidades de comunicação, de pesquisa e de
colaboração em redes eletrônicas com vistas à promoção de ensino-aprendizagem a
distância, on line- que foi avaliado como "muito bom".
Pode se concluir que os elementos do curso que foram submetidos à
avaliação são julgados pelos aprendizes como contribuindo para o alcance dos objetivos.
Destacam-se os elementos do curso avaliados como "ótimos": expectativas
apresentadas na abertura e no início do curso; organização de conteúdos e atividades
por módulos temáticos; apresentação dos conteúdos e atividades de cada módulo em seu
início; exploração do ambiente do curso no AulaNet no Módulo I; conteúdos previstos
para acesso, leitura, estudo autônomo e conversações; orientações quanto às
atividades essenciais e às outras atividades para opção pelo aprendiz em cada módulo;
bibliografia e links indicados; textos disponibilizados para acesso e leitura no site do
curso; análise de dúvidas, idéias, sugestões pelo Grupo de Discussão; tutoria pelo
correio eletrônico -teiaweb@uai.com.br; agenda; exploração da abordagem de Comunidade
de Aprendizagem; conteúdos, atividades e tempo previstos no Módulo I; conteúdos,
atividades e tempo previstos no Módulo II; negociação e desenvolvimento de planos
individuais de aprendizagem; adequação de aprendizagem baseada na teoria com a baseada
na prática da individualizada com a cooperativa e colaborativa; procedimentos de
avaliação, retorno (feedback) às auto-avaliações dos aprendizes; utilização do
software de autoria AulaNet.
Os seguintes elementos do curso foram avaliados como importantes para o
alcance de objetivos, porém, com grau "muito bom: "conteúdos, atividades e
tempo previstos no Módulo III- Parte1"; "conteúdos, atividades e tempo
previstos no Módulo III- Parte 2" e "conteúdos, atividades e tempo previstos
no Módulo IV (cont. do III-2)".
Os elementos do curso com menor grau atribuido ("bom") são:
"formação de Grupos de Interesses Temáticos" e o de "iniciação na
estratégia de Projeto de Trabalho On Line". A razão deste julgamento parece estar
relacionado com o tempo (avaliado como pouco) destinado às atividades mencionadas,
segundo opiniões dos aprendizes que sugeriram maior duração para o curso. Exemplo disto
é o depoímento de aprendiz:
"Um posicionamento a respeito do curso: nao sei se isso eh
fruto de falha minha na organizacao do meu tempo ou resultado de acumulo de atividades
nesse semestre, mas gostaria de sugerir que um curso como esse fosse dado em um periodo de
tempo mais longo. Nao creio que haverah tempo suficiente para uma maior integracao do
grupo, principalmente dos grupos de interesse. Que tal programar um proximo curso que se
estenda por um semestre letivo? Isso eh viavel?"(sic)
Portanto, a dimensão da colaboração precisa se repensada
considerando a duração do curso que deve ser ampliada, particularmente, nos Módulos III
e IV e a criação de ferramentas que viabilizem a colaboração com compartilhamento de
arquivos entre os aprendizes.
Na auto-avaliação dos aprendizes quanto ao grau de envolvimento em
cada elemento do Curso IAO destacam-se a identificação de suas necessidades de
aprendizagem, o acompanhamento dos conteúdos disponibilizados on line e a disposição
para comunicar-se pelo Grupo de Discussão, todos com grau "ótimo". Seguem-se a
participação dos alunos no Grupo de Discussão, a disposição para comunicar-se e
colaborar pelo Grupo de Interesse e a contribuição para a aprendizagem do grupo, nos
espaços de comunicação, todos estes aspectos avaliados como "muito bons". Os
aspectos avaliados com valores menores são: a disposição para comunicar-se pelo Chat, a
participação dos alunos durante o Chat e a participação dos alunos nos Grupos de
Interesse , todos com grau "bom".
Depoimento de aprendiz exemplifica como ocorreu esforço de
metacognição , ou seja, de identificação e análise de seus próprios processos de
conhecer, de aprender, de suas interações no ambiente de aprendizagem e as
participações nas sessões de Chat, no Grupo de Discussão e no Grupo de Interesse:
"O grande desafio eh a formacao de uma 'comunidade de
aprendizagem' em que cooperacao, autonomia e a centralidade do individuo no processo de
aprendizagem sao fundamentais para o progresso do aprendiz e do grupo. Explico: isso
implica em mudancas de habitos de ensino/aprendizagem muito arraigados. Viemos de um
ambiente educacional que favorece a competicao, a individualizacao do processo de
aprendizagem e a crenca de que o professor eh um fornecedor direto de conhecimentos. Como
aluna desse curso, tenho observado a minha dificuldade em partilhar duvidas e
questionamentos com o grupo. De certa forma me sinto na 'obrigacao' de tentar resolve-los
de forma independente, num exercicio equivocado de autonomia, pois o grande barato aqui
deveria ser aprender de forma personalizada, mas coletiva e colaborativamente. Mais uma
vez repito a importancia de estar participando desse curso como aluna e refletindo sobre
as minhas dificuldades de adaptacao a esse novo meio e a novos papeis. Devo confessar que,
a principio, o que me preocupava era o uso dos recursos tecnologicos: serah que darei
conta? Agora jah cheguei a conclusao de que, apesar de ainda estar engatinhando nessa
area, o mais importante eh adquirir uma postura de aluna autonoma e que trabalhe
colaborativamente. Em teoria isso me parecia tao logico e ateh simples. Na pratica, nem
tanto." (sic)
As dificuldades e a vontade de continuar o curso por reconhecer a sua
contribuição são destacados em um depoímento de aprendiz similar a alguns outros:
" Embora meu horário de trabalho normal seja o
vespertino/noturno, com a greve e suas atividades tive que alterá-lo. Acresce-se a isto,
o fato de que estou provisoriamente lotado em um núcleo, que dispõe de poucos
computadores e de muita gente para utilizá-los. Também não estava preparado para
receber tamanha quantidade de mensagens eletrônicas e pelo fato de não ter um único
computador para recebê-las, tive que passar o Eudora para um cd r/w, porém nem todas as
máquinas tinham gravadores de cds, o que me perturbou bastante e contribuiu para que não
acompanhasse o curso como deveria. Apesar de todos estes problemas, o curso tem
enriquecido e muito meus conhecimentos a respeito dos meios interativos. Um serviço que
eu nunca tinha utilizado, por completo desconhecimento de seu funcionamento , era o grupo
de interesse, News, que pretendo, a partir de agora utilizar com freqüência, para
dominar melhor seu uso. Em relação a esta semana de curso, no único dia que consegui
fazer o curso (3a feira, à tarde) acessei o sistema por poucos minutos. Precisei sair e
quando voltei não consegui acessar mais o aulanet.fepesmig.br, que parecia estar fora do
ar e apresentava a antiga tela escura. Ao longo do curso, fiz alteração em meu e-mail,
passei dias sem conseguir verificar as mensagens e hoje que consegui, observei que todas
as mensagens foram enviadas para meu antigo e-mail."(sic)
Neste caso, ficou esclarecido, que o aprendiz alterou o e-mail
apenas na página de suas informações e não solicitou alteração no sistema do GD. Ou
seja, é preciso que cada aprendiz conheça as formas de lidar com o sistema de curso
on-line. Outros depoímentos indicam a importância de considerarmos as condições de
acesso de cada aprendiz:
1."Bem, finalmente consegui entrar. Parece que o problema era
mesmo o congestionamento. Espero não ter mais problemas. Realmente está difícil entrar,
é preciso tentar muitas vezes, ter muita paciência. Vou treinar a minha. Em todo o caso,
o máximo que pode acontecer é me chamarem de atrasadinha, não é? Obrigada. Um
abraço."(sic)
2."No meu caso, que geralmente enfrento problemas de
congestionamento, acessar as carinhas, por exemplo, levou um tempão. Assim, talvez um
pouco mais de tolerância com relação ao prazo poderia muito bom, por outro lado,
estender as atividades também poderia levar o curso a uma extensão do tempo previsto, o
que não seria bom para nenhum de nós."(sic)
E, finalmente, há a questão do tempo disponível para estudo, como mostra o
depoímento: "O meu grande problema de acompanhamento se verificou quanto a grande
quantidade de e-mails postados, e o grande volume de trabalho que aumentou de forma
exponencial."(sic)
A partir dos resultados da avaliação e deste estudo, são analisadas
as implicações práticas, de ação reflexiva aplicando e atualizando o domínio
técnico e o filosófico-pedagógico na promoção de EaD, na modalidade de aprendizagem
colaborativa on-line. Outros aspectos de cursos on-line estão sendo analisados
considerando a estratégia de formação de comunidade de aprendizagem colaborativa.
Depoímentos de aprendizes mostram como foi válido o curso IAO e
apontam caminhos...
1."Foi interessante notar a importancia fundamental da teoria
social de construcao do conhecimento defendida por Vygotsky 'onde a aprendizagem eh
fundamentalmente uma experiencia social, de interacaso pela linguagem e pela acao'. Eu ja
havia estudado um pouco de Vygotsky em um curso que fiz ha alguns anos onde analisavamos a
interacao em sala de aula tradicional. Nesse nosso novo ambiente de ensino/aprendizagem,
no entanto, essa teoria me parece ainda mais importante e, ao mesmo, tempo, talvez mais
dificil de se colocar em pratica. O grande desafio eh a formacao de uma 'comunidade de
aprendizagem' em que cooperacao, autonomia e a centralidade do individuo no processo de
aprendizagem sao fundamentais para o progresso do aprendiz e do grupo. Explico: isso
implica em mudancas de habitos de ensino/aprendizagem muito arraigados. Viemos de um
ambiente educacional que favorece a competicao, a individualizacao do processo de
aprendizagem e a crenca de que o professor eh um fornecedor direto de
conhecimentos."(sic)
2."O curso foi de grande proveito.A experiência foi singular e
deixou muitas sementes que com certeza germinarão.Parabéns a você e à sua
equipe."(sic)
3."O curso foi um sucesso graças a sua coordenação, mediação e
participação, o que prova que mesmo na educaçào virtual o papel do tutor é
indispensável. Sou muito grato por ter participado desta iniciativa."(sic)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste trabalho, analisamos conteúdos, padrões e fatores da
comunicação, da interação e do discurso e prática de aprendizagem on-line,
cooperativa/colaborativa em comunidade de aprendizagem e de prática bem como esclarecemos
como planejar, desenvolver e avaliar ambiente virtual de aprendizagem para apoiar esta
aprendizagem de tal maneira a produzir significados, compreensão e ação crítica, e em
que se possa exercer a aprendizagem de cooperação e de autonomia, assegurando-se a
centralidade do indivíduo na construção do conhecimento e possibilitando resultados de
ordem cognitiva, afetiva e de ação. Analisamos a consistência de interface de
protótipo do ambiente, adequação de linguagem, flexibilidade, interatividade com
usuários, funcionamento do curso e a aplicação do referencial teórico.
Desta forma, este trabalho se insere na busca de um novo ciclo de
assimilação de tecnologia em EaD que pode ser descrito como de dois passos adiante para
a tecnologia e pedagogia e um passo atrás para reflexão crítica e planejamento dos
passos subsequentes. Continuamos a pesquisa, buscando esclarecer condições em que
processos de comunicação mediados por computador (CMC) contribuem para construção de
comunidade de aprendizagem e de prática no contexto de formação-ação de docentes. Por
um lado, a pesquisa explora conteúdo, padrões e fatores da comunicação, da interação
e do discurso de aprendizagem on-line com abordagem etnometodológica, análise
textual e do discurso. Por outro lado, como parte do Projeto "Capacitação de
docentes de ensino superior quanto à relação entre ensino, pesquisa e avaliação via
aplicações de Internet", que integra o Consórcio-BH2, apoiado pelo
Protem-CNPq-RNP, em sua atividade de ensino a distância, a pesquisa também visa avaliar
a influência de fatores de design e de condições de rede eletrônica de alto desempenho
em aplicações da Internet no ensino a distância, em que seja exercida a aprendizagem da
cooperação e da autonomia e em que se reconheça a centralidade do indíviduo na
construção do conhecimento. (PROJETO BH2-EAD-CAP,1999)
Em nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento de ambientes
interativos de aprendizagem, reencontra-se e resgata-se o educador na EaD
analisando suas ações pedagógicas, sociais, tecnológicas e gerenciais, que podem ser
identificadas e que se concretizam na reflexão e na prática do planejamento, do
desenvolvimento e da avaliação dos cursos, na orientação de aprendizagem, na
facilitação e moderação da conversação on-line e na atuação como sujeito que
promove a formação de comunidades de aprendizagem e a integração de recursos para a
aprendizagem cooperativa/colaborativa on-line. Há muitas formas de oferecer cursos a
distância on-line mas, certamente, as melhores formas de fazê-lo exigem autênticos
educadores on-line!
Fica o convite de um dos aprendizes do IAO:
"Agradeço pela oportunidade de ter participado desta
experiência pioneira.Foi bastante proveitoso o curso para mim. Desejo a vocês sucesso e
determinação para continuarem em direção ao horizonte pois, usando uma das metáforas
do curso, "a utopia serve para fazer caminhar".Um abraço carinhoso para todos
vocês.Tchau ! Tchau !"( sic)
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NOTA: Este trabalho é parte do Programa Integrado de Pesquisa
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da FaE-UEMG, criado em 16 de março de 1998, com o apoio do CNPq, entidade do Governo
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