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Seminário Virtual e Rede de Trabalho Cooperativo em Pesquisa
          Muito mais que "apontar" e "clicar o mouse": promovendo educação a distância on-line em comunidade de aprendizagem colaborativa

                                 Maria Inês de Matos Coelho

Faculdade de Educação-UEMG (Pesquisadora CNPq), Coordenadoradora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologias Interativas de Aprendizagem - TEIA-GEPE da FaE-UEMG e do Projeto PROTEM-CNPq-RNP/BH2-EAD/UEMG (mines@net.em.com.br)

INTRODUÇÃO

A oferta de educação a distância em ambientes de aprendizagem mediados por redes eletrônicas tem-se expandido rapidamente e pode ser uma alternativa de solução para problemas na formação ou capacitação em serviço, tais como, a dificuldade de deslocamento para os centros urbanos onde são oferecidos cursos, a falta de tempo para freqüentá-los e as barreiras para o envolvimento e aproveitamento, enfrentadas pelos que estudam em uma segunda jornada, após o trabalho. Também pode estimular o repensar crítico de paradigmas educacionais que vigoram na educação formal convencional e cuja superação é condição para a sua melhoria. Estas possibilidades estão vinculadas a mudanças necessárias nas concepções e nos processos de ensino-aprendizagem.

Estudos têm mostrado que o ciclo de assimilação de tecnologia em educação pode ser descrito como de um passo adiante para a tecnologia e dois passos atrás para pedagogia. Referenciais conceituais ou teóricos sistemáticos e claros constituem ainda uma lacuna ou encontra-se uma grande variedade de orientações e noções teóricas desenvolvidas em diferentes disciplinas científicas e que são articuladas em abordagens multi ou interdisciplinares aplicadas ao ensino-aprendizagem on-line, nem sempre de forma coerente do ponto de vista epistemológico. "Pedagogia", "novo modelo pedagógico", "estilo do professor", "perfil do professor on-line", têm sido tratados como contraponto à tecnologia, de forma prescritiva e não como conceitos construídos por pesquisa.

A compreensão dos conteúdos, padrões e fatores da comunicação, da interação e do discurso de aprendizagem on-line, cooperativa / colaborativa em comunidade de aprendizagem e de prática pode resgatar o educador e seu papel bem como elucidar a sua formação-ação em EaD. Podem contribuir para isto a meta-análise de pesquisas da EAD e da aprendizagem on-line bem como a discussão de estudos de casos em termos de objetivos, fundamentos e de possíveis resultados de cursos desenvolvidos.

Com este sentido, apresenta-se o estudo de caso do curso "Iniciação à Aprendizagem On-line - IAO", parte do Projeto "Capacitação de docentes de ensino superior quanto à relação entre ensino, pesquisa e avaliação via aplicações de Internet", que integra o Consórcio-BH2, apoiado pelo Protem-CNPq-RNP, em sua atividade de ensino a distância. (PROJETO BH2-EAD-CAP; COELHO, 1999a).

O Curso IAO visa possibilitar experiências de discussão de referenciais teóricos e técnicos e de uso adequado de estratégias de comunicação, de colaboração e de pesquisa em redes eletronicas, com vistas a apoiar a promoção de ensino-aprendizagem a distância, mediada por conteúdos on line. Portanto, sua realização pode contribuir para mudar a forma de aprender e de ensinar de seus participantes. (COELHO, 2000a)

Este estudo de caso tem como objetivo analisar conteúdos, padrões e fatores da comunicação, da interação e do discurso e prática de aprendizagem on-line, cooperativa/colaborativa em comunidade de aprendizagem e de prática bem como esclarecer como planejar, desenvolver e avaliar ambiente virtual de aprendizagem para apoiar esta aprendizagem de tal maneira a produzir significados, compreensão e ação crítica, e em que se possa exercer a aprendizagem de cooperação e de autonomia, assegurando-se a centralidade do indivíduo na construção do conhecimento e possibilitando resultados de ordem cognitiva, afetiva e de ação. Analisa-se a consistência de interface de protótipo do ambiente, adequação de linguagem, flexibilidade, interatividade com usuários, funcionamento do curso e a aplicação do referencial teórico.

A metodologia de estudo de caso é aplicada com abordagem de desenvolvimento (referencial teórico, design, desenvolvimento e avaliação de um protótipo do ambiente do curso on-line) combinada à abordagem etnometodológica, de análise textual e do discurso, em estudo piloto (análise de execução do curso e avaliação).

A pesquisa é parte da formação de equipe de docentes, pela vivência e pela reflexão crítica acerca das mudanças que as tecnologias telemáticas trazem à comunicação, à interação e à organização do processo ensino-aprendizagem on-line. A partir daí, acontece o planejamento da capacitação de docentes de ensino superior quanto à relação entre ensino, pesquisa e avaliação via aplicações de Internet buscando criar, na própria rede, um espaço de encontro educacional, considerando como seus diferentes aspectos - "exposição, exploração, desafio, avaliação e motivação" - são articulados com o uso de diferentes tecnologias. (SCHWARTZ, 1999)

A perspectiva assumida é a de formação-ação, ou seja, a de que a formação está e acontece na ação perpassada pelo processo de reflexão crítica que ocorre antes, durante a após a ação, no sentido em que SCHON (1987) descreve o pensar-em-ação como prática reflexiva. Portanto, é necessário que, tanto os membros da equipe, como os docentes a serem envolvidos no projeto, vivenciem situações nas quais sejam analisadas, de forma compartilhada, as práticas de cada um e dos outros, e que estas sejam relacionadas com fundamentos teóricos, sendo todos participantes de reflexões conjuntas, de discussões de diferentes perspectivas, revisitando e revendo seu trabalho, trocando e construindo colaborativamente orientações e meios para aperfeiçoar a prática. (SCHON, 1983, 1987). Ou seja, a idéia é de construir uma comunidade de prática, em que se assume postura problematizadora e se articulam interesses e objetivos comuns, as ações, o diálogo, o discurso reflexivo e a colaboração, criando significados com implicações para o aprender e o ensinar.

FORMULAÇÃO DE UM REFERENCIAL TEÓRICO COMO FUNDAMENTO E ORIENTAÇÃO PARA O DESIGN, DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DO CURSO ON-LINE IAO

O planejamento do curso foi norteado pelos pressupostos de que a aprendizagem é fundamentalmente uma experiência social, de interação pela linguagem e pela ação , conforme propôs VYGOTSKY (1974,1984). O indíviduo atua efetivamente, como agente ativo de seu próprio conhecimento, ou seja, constrói significados e define o sentido e a representação da realidade de acordo com as suas experiências e vivências em diferentes contextos de interação com outras pessoas. Isto implica que a interação propicie uma comunidade de aprendizagem, de discurso e de prática de tal maneira a produzir significados, compreensão e ação crítica, que se possa exercer a aprendizagem de cooperação e de autonomia, assegurando-se a centralidade do indivíduo na construção do conhecimento e possibilitando resultados de ordem cognitiva, afetiva e de ação. (COELHO, 1998a, 1998b, 1999a, 1999b, 2000b)

São básicos no referencial, os conceitos de níveis no desenvolvimento do ser humano, o social e o individual, ou seja, o interpessoal e o intrapessoal, bem como o de "zona de desenvolvimento proximal" como espaço entre o nível real (solução independente de problemas) e o nível potencial (solução de problemas com orientação ou em colaboração). Outro conceito importante é o que indica como o adulto implementa processos de suporte que se estabelecem através da comunicação e que funcionam como apoio ou "andaimação" para o aluno na realização de uma tarefa complexa que ele, por si só, seria incapaz de realizar, mas que, com o apoio da orientação, consegue realizar. (BRUNER, 1983)

A linguagem humana, além de ser meio para representar conhecimentos socialmente construídos, tem também o papel vital na mediação de ações, na negociação de objetivos e na coordenação de meios a serem usados para alcançá-lo. O discurso na versão interiorizada ou "fala interior" tem o sentido de propiciar pensamento e ações individuais no âmbito de atividades compartilhadas. (VYGOTSKY,1974,1984) Cognição e aprendizagem são fundamentalmente situadas, contextualizadas social e físicamente e ensinar é algo significativamente diferente, em diferentes contextos e para diferentes pessoas. (BROWN,COLLINS,DUGUID,1989)

A concepção de comunidade de aprendizagem emerge da articulação de todas estas noções. Comunidades são construidas por pessoas, e no cerne de todas as relações e práticas sociais está a comunicação humana de uma forma ou outra. As conversações são processos sociais complexos e poderosos que envolvem silêncio tanto quanto mensagens, conhecer tanto quanto informar e os interlocutores centrais tanto quanto aqueles que participam periféricamente. (COELHO, 1999b,2000b, 2000c)

A importância de conversação para uma comunidade de prática está fundamentada por uma idéia do saber como investigação que substitui a noção de conhecimento fechado, essencialmente objetivo. É através da rede de linguagem e da conversação que as pessoas conhecem ou elaboram conhecimento, como "jogos de linguagem" segundo WITTGENSTEIN (1968), ou em "comunidade de interpretação" que, pela conversação, alcança consenso, ou seja, uma compreensão, conforme FISH (1984), ou ainda, na "ação comunicativa", pelo diálogo e por processos metacognitivos promovem emancipação, conforme teoria de HABERMAS (1971,1984).

Tais princípios foram aprofundados com base na perspectiva crítica de HABERMAS (1971,1984,1990) que contribui para esclarecer os caminhos da relação entre racionalidade comunicativa e emancipação - base da concepção de comunidade de aprendizagem que orienta o processo de planejamento e de desenvolvimento do curso IAO. A idéia básica é a de que o processo de comunicação só pode se realizar plenamente numa sociedade emancipada que propicie as condições para que seus membros atinjam a maturidade, criando possibilidades para desenvolver a subjetividade na reciprocidade e na perspectiva de um verdadeiro consenso abertas pela possibilidade do diálogo e da situação ideal de discurso. A intersubjetividade compartilhada é a base do diálogo voltado para o entendimento livre de coações. (COELHO, 1999b, 2000b)

Na interação confluem as concepções comuns aos participantes, o "mundo vivido", e a ação comunicativa que possibilita o entendimento, esclarecimentos e consenso, através do diálogo e da ação cooperativa. Isto é o que HABERMAS(1984) considera "situação ideal do discurso", com simetria de escolha e de realização de atos de fala entre as pessoas e pelo diálogo., e que pode fundamentar um novo estilo de mediação pedagógica on-line.(COELHO, 2000b)

Com tal fundamento, buscou-se planejar e desenvolver o curso IAO de forma que fossem eliminadas todas as formas de coerção, com uma (re) definição conjunta de regras que permitissem todos dialogarem, que apóiassem a força dos bons argumentos e a aprendizagem colaborativa. Portanto, o delineamento estaria aberto a desafios, preparado para propiciar condições favoráveis ao diálogo e à negociação de significados, para fornecer base às afirmações, para construir consenso bem fundamentado sem unificação de idéias e de opiniões, para desenvolver a reflexão crítica e a metacognição como forma de emancipação.

Considerando estes princípios, o ambiente de aprendizagem do IAO foi projetado para estimular e possibilitar interatividade, apresentar diferentes graus de complexidade dispostos em módulos e promover a cooperação entre os atores participantes do processo de aprendizagem, sejam eles professores/tutores ou alunos/aprendizes, todos co-autores do conhecimento. Como o curso se insere em capacitação de profissionais adultos, foi assumida a perspectiva de formação-ação, com formação acontecendo na ação e no processo de reflexão crítica que acontece antes, durante e após sua ocorrência.

Interação, moderação, conversação, diálogo e construção da comunidade de aprendizagem como dimensões da comunicação mediada por computador (CMC) foram analisadas nos estudos da área e situadas no campo do "discurso educacional", da "análise da conversação", da "atividade discursiva" e da aprendizagem colaborativa ( SHERRY et al., 1999, SHERRY, 1998), identificando-se princípios norteadores para o planejamento dos conteúdos e atividades, para a orientação de aprendizagem e a monitoração das atividades do curso bem como a sua avaliação. Comunicação, colaboração e pesquisa são os elementos principais no planejamento de forma a possibilitar a formação de comunidade de prática e de aprendizagem. (COELHO, 1998, 1999b, 2000b)

Referenciais acerca de ambientes interativos de aprendizagem por WWW, objeto de pesquisa anterior (COELHO,1997,1998a) foram atualizados por contribuições como a de CUNNINGHAM et al. (1993) que definem algumas finalidades de um ambiente construtivista de aprendizagem a distância a partir dos princípios teóricos desse enfoque: (i) possibilitar ao participante a decisão sobre tópicos e subtópicos do domínio a serem explorados, além dos métodos de estudo e das estratégias para a solução de problemas; (ii) oferecer múltiplas representações dos fenômenos e problemas estudados, possibilitando que o participantes avaliem soluções alternativas e testem suas decisões, (iii) envolver a aprendizagem em contextos realistas e relevantes, isto é, mais autênticos em relação às tarefas da aprendizagem; (iv) colocar o professor/tutor no papel de um consultor que auxilia os participantes a organizarem seus objetivos e caminhos na aprendizagem; (v) envolver a aprendizagem em experiências sociais que reflitam a colaboração entre professores-alunos e alunos-alunos; e (vi) encorajar a meta-aprendizagem.

A partir de JONASSEN (1996), aprendizagem significativa será possibilitada por um ambiente de aprendizagem construtivista, que: (i) resulte de experiências genuínas; (ii) resulte de integração de novas idéias dos alunos a seu conhecimento anterior; (iii) resulte de reflexão e análise das experiências dos alunos; (iv) resulte de um trabalho colaborativo entre alunos; (v) resulte de um objetivo, uma intenção do estudante; (vi) resulte da resolução de problemas do mundo real, portanto complexos, irregulares e sem uma única solução; (vii) resulte de uma atividade no mundo real significativo ou simulada em algum caso ou problema em vez de modelos abstratos; (viii) resulte de uma atividade coloquial mediante a conexão de alunos através da cidade ou através do mundo.

Já WILSON (1996) classifica como ambientes mais ricos e compatíveis com a aprendizagem construtivista aqueles que colocam o aluno no controle do processo de aprendizagem e que, para tanto possuem elementos como kits para construção e exemplos de fenômenos a serem estudados.

A partir dos estudos realizados, foram definidos alguns elementos a serem assegurados nas conversações e atividades cooperativas: objetivo claro, estabelecimento de laços entre alunos e professor, orientações criadas e publicadas para as conversações, condições para que o processo de pensamento seja articulado, perspectivas múltiplas valorizadas enquanto se resolve conflitos, propósito claro e estabelecido pelos estudantes de criar algo em comum, comentários de apoio e de aprovação para ampliar as conversações, interação de forma mais complexa que a simples pergunta-resposta, uso efetivo de software de conferência.

Buscando concretizar tais princípios, foram planejadas estratégias de aprendizagem com estudo autônomo e elaboração própria pelo aprendiz, previstos para realização em local e no momento mais adequados para cada aprendiz, e articulados com interação, conversação e colaboração, viabilizadas pelo Grupo de Discussão, por Lista de Discussão via e-mail, por Grupos de Interesses Temáticos, por Chat agendado e por troca de correspondência por E-mail.

Uma possibilidade a considerar no design de cursos on-line e na moderação em CMC é examinar a distância de uma nova forma, considerando a distância transacional entre professor e estudantes. ( MOORE, 1993; MOORE & KEARSLEY,1996). Mais do que uma distância física, a distância transacional é uma função de variáveis de estrutura e de diálogo. A estrutura refere-se ao desenvolvimento e adaptação dos objetivos, das estratégias de ensino e dos processos de avaliação aos objetivos dos aprendizes. O diálogo refere-se ao fluxo de comunicação entre professor e aprendiz (es).

Esta teoria da distância transacional focaliza como a estrutura de um curso afeta o fluxo de comunicação entre professor e estudantes. O cuidado em criar uma estrutura de curso flexível e em encorajar um fluxo livre de comunicação mediada por qualquer meio pode diminuir esta distância. Como se nota, este conceito se aplica a salas de aula virtuais ou não.

A comprensão acerca da distância transacional entre professor e estudantes, como uma função de variáveis de estrutura e de diálogo orientou a formulação de algumas diretrizes práticas para a promoção de comunicação e de colaboração via Grupo de Discussão, destacando-se as principais: promover a apresentação pessoal de alunos ("quebrar o gelo"), planejar perguntas que especificamente provoquem a discussão sobre o tópico, recolocar questionamento, com outras palavras, quando a conversação estiver indo em outra direção, comentar e sugerir vínculos entre mensagens dos alunos convidando para discussão, fornecer linhas de orientação para ajudar os aprendizes a preparar respostas sobre o tópico, apresentar sínteses periódicas para orientar a continuidade da conversação.

DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DO AMBIENTE COM BASE NO REFERENCIAL TEÓRICO E QUE UTILIZA UM SOFTWARE GERENCIADOR DE CURSOS NA INTERNET

A utilização do gerenciador de cursos na Internet-AulaNet-( PUC-RJ, 1997) se deu em função de sua disponibilidade gratuíta (http://guiaaulanet.eduweb.com.br) e da parceria com o GEPEAD-FEPESMIG-UEMG, possibilitando sua aplicação no site ( http://www.aulanet.fepesmig.br .

Foi possível viabilizar a proposta considerando o referencial teórico, de modo a permitir o uso de recursos de comunicação como forum de discussão, faq, chat, grupos de interesse e e-mail. Toda a estrutura do ambiente com seus objetos de navegação, conteúdos, links para outros sites, hipertextos, etc. foi programada em uma linguagem para a Web, pela seleção e uso dos mecanismos previstos no gerenciador: mecanismos de comunicação, mecanismos de cooperação e mecanismos de coordenação. O software gerenciador também facilitou a administração do curso já que os aprendizes e e professores podem, através de qualquer terminal de computador ligado à rede, ter acesso ao protótipo do ambiente, às atividades propostas e realizadas.

O protótipo do ambiente de aprendizagem foi desenvolvido em um site no qual se encontra um conjunto de páginas que procura possibilitar a formação de uma comunidade de aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento de projeto de trabalho em sistemas interativos. ( http://www.aulanet.fepesmig.br )

Abertura do Curso IAO

Na primeira página, o estudante tem acesso a um texto que apresenta o curso, suas finalidades, concepção pedagógica e uma idéia geral de como são as atividades que o aluno desenvolverá e quais são os principais elementos do curso. Nessa página o aluno pode se inscrever no curso passando a ter acesso autorizado por senha. A página do protótipo onde o aluno inicia o trabalho, depois de matriculado, é acessada pelo espaço indicado como "aulas".

Pela ferramenta indicada como "aulas" inicia-se com uma carta de apresentação da professora /tutora seguindo-se o plano de curso sendo este completado pelo plano de cada módulo. Conforme previa o plano de curso, cada módulo seria publicado e liberado para acesso na data prevista para seu início. Esta estratégia buscaria manter os aprendizes focalizados no conteúdo do módulo, cooperando em atividades conjuntas e coordenadas. Supunha-se que, caso todos os módulos fossem apresentados ao mesmo tempo o grupo poderia se dispersar em atividades muito diferenciadas e paralelas e não desenvolver a aprendizagem colaborativa.

Ferramenta Aulas do IAO

O conteúdo foi organizado em quatro módulos temáticos, divididos cronologicamente em cinco semanas:

Módulo I - ( Primeira semana)- Ambientação virtual,

Módulo II - (Segunda semana)-Comunicação, colaboração e pesquisa para aprendizagem on line,

Módulo III -(Terceira semana)-Comunidade de Aprendizagem e Projeto de Trabalho,

Módulo IV - (Quarta semana)-Projetos de Trabalho

Módulo IV-(Quinta semana)-Continuidade de Projetos de Trabalho.

A organização e apresentação de cada módulo foi feita com os seguintes elementos: 1. Objetivos e atividades de aprendizagem; 2. Estudo autônomo e elaboração própria - atividades no local e no momento mais adequados para cada aprendiz; 3. Interação, conversação e colaboração - atividades pelo Grupo de Discussão, por Lista de Discussão via e-mail, por E-mail e por Chat ( conversa on line) a ser agendado; 4. Auto-avaliação; 5. Tutoria: como resolver dúvidas?;6. Bibliografia Básica.

O conteúdo dos módulos foi produzido em HTML, utilizando técnicas de redação próprias para EAD, fortemente marcadas pelo diálogo, com característica hipertextual e links que remetem o leitor para sites externos onde complementam a informação disponibilizada. Todos os conteúdos foram gravados também na área de download para que fossem requisitados e arquivados no equipamento dos participantes, visando diminuir o tempo de conexão à Internet. A ferramenta Bibliografia foi utilizada para oferecer referencial e leituras adicionais aos participantes.

A auto-avaliação foi o sistema adotado, com o participante sendo orientado a elaborar e enviar à tutoria um texto contendo uma síntese das atividades realizadas no módulo com uma apreciação de sua participação. O aprendiz realizaria assim um esforço de metacognição, ou seja, de identificação e análise de seus próprios processos de conhecer, de aprender. Como critério adicional de avaliação, foram consideradas as interações no ambiente de aprendizagem e as participações nas sessões de Chat, no Grupo de Discussão e no Grupo de Interesse.

A tutoria, orientação específica para resolução de dúvidas e de dificuldades de aprendizagem, ficou a cargo da professora responsável pelo curso, e ficaram disponibilizados: um e-mail e um telefone em horários pré-definidos.

Os módulos foram preparados de forma a orientar e coordenar ações de pesquisa por informação na Internet, aquisição de conceitos, fundamentação teórica e sua utilização como pré-requisitos importantes para a participação nas diversas atividades de interação programadas. Em lugar de mera leitura de textos e de discussão sobre o que é aprender com recursos da Internet, estes eram utilizados e aprendia-se usando-os. Foram previstas leituras de conteúdos da  World Wide Web (Internet) e comunicação, discussão e colaboração pela lista de discussão, por grupos de interesse e por Chat agendado, bem como elaboração de projetos de trabalho.

O design adotado e a opção por um modelo que privilegia a cooperação determinaram: a adoção de tarefas para promover a cooperação, a coordenação de atividades em tempo de execução do curso, o incentivo à tomada de decisão pelos aprendizes quanto ao andamento das atividades, a criação de formas de representação dos conhecimentos do grupo, o compartilhamento do conhecimento produzido em uma base de dados acessível a todos.

EXECUÇÃO DO CURSO IAO

O curso IAO foi oferecido gratuitamente e teve início no dia 10 de maio de 2000, com 30 alunos de vários estados do Brasil, selecionados dentre 110 inscritos no sistema, durante três semanas após o anúncio em listas de discussão e nas unidades da UEMG pela professora responsável e tutora do curso. Foram selecionados professores de unidades agregadas à UEMG; professores com área de atuação ou pesquisa em Educação a Distância( Projetos CNPq) e alunos de programas de mestrado ou doutorado ligados à EAD. Na programação inicial, o término do curso estava previsto para 14/06/00 mas, pela dinâmica dos trabalhos e pela participação dos aprendizes, se estendeu até 04/07/00. Portanto, de cinco semanas passou a ter, praticamente,oito semanas.

Para iniciar as atividades, o servidor SMTP da FEPESMIG-UEMG, que é gerenciado pela ferramenta Grupo de Discussão do AulaNet, foi alimentado com o e-mail de todos os matriculados e professores colaboradores. Um e-mail inicial de boas vindas, foi enviado pela professora responsável para a lista com as instruções iniciais para o módulo 1. Em virtude de o Curso IAO ser planejado com estratégia de cooperação, foi necessário que todos os aprendizes começassem juntos as atividades.

De acordo com o referencial e princípios já analisados e conforme o planejado, a primeira atividade proposta para o grupo foi uma apresentação pessoal na ferramenta Grupo de Discussão (GD). Esta atividade, destacada no Módulo I - (Primeira semana)- Ambientação virtual, foi realizada durante a primeira semana do IAO por 25 dos 30 participantes. Após contato com os que não tinham ainda se apresentado, constatou-se que, devido a problemas técnicos, três aprendizes não conseguiram acesso ao ambiente virtual de aprendizagem e dois não conseguiram utilizar a ferramenta de comunicação do Grupo de Discussão. Com as orientações,ao final do curso apenas um participante não havia conseguido completar a primeira das atividades de interação.

Abertura do Curso IAO- Carta de Apresentação

A utilização da ferramenta Grupo de Discussão (GD) foi mais intensa nos dois primeiros módulos (Módulo I - ( Primeira semana)- Ambientação virtual, Módulo II - (Segunda semana)-Comunicação, colaboração e pesquisa para aprendizagem on line) porque seu uso foi estimulado através das atividades propostas. Em meio ao Módulo II, foram criados os Grupos de Interesses Temáticos (GI) , tendo a conversação passado a ser feita também naqueles espaços. Houve apenas uma interrupção inesperada no GD pois a ferramenta Grupo de Discussão, que além de publicar mensagens na Web envia cópia delas pelo servidor de listas, parou de encaminhar mensagens para os endereços de e-mail dos participantes no dia 30/05/00, tendo sido reativada em 31/5/00.

No período planejado – 20 primeiros dias do curso -, foram trocadas 48 mensagens entre os alunos enquanto a tutoria enviou 15. Somando-se a esse total as 25 mensagens de apresentação temos 88 mensagens em 20 dias – 4,4 mensagens/dia. Em 50 dias de operação, no conjunto, a ferramenta gerou 124 mensagens enviadas à 34 participantes, com um tráfego de 4.216 mensagens. Destaca-se a participação ativa da tutoria, que enviou em média uma mensagem por dia. Este foi um fator de estímulo importante para o grupo.

Grupo de Discussão do IAO

Considerando-se as respostas apresentadas por onze aprendizes ao questionário de avaliação, nota-se que os aprendizes julgaram a análise de dúvidas, idéias, sugestões pelo Grupo de Discussão como elemento do curso muito importante para alcance dos objetivos. Foram avaliados com grau"ótimo" os aspectos doGD - "grau de facilidade de acesso e "grau de facilidade de utilização"- e como "muito bom", "atendimento do objetivo como ferramenta pedagógica". Ao avaliarem seu próprio envolvimento no curso, os aprendizes, considerando a disposição para comunicar-se pelo GD atribuem-lhe grau "ótimo" mas em relação à participação dos alunos, o grau atribuido é "muito bom ".

Um depoimento de aprendiz do curso mostra a contribuição do Grupo de Discussão:

"Algumas reflexões dos colegas de curso foram pertinentes p/ que eu desenvolvesse minhas próprias observações e até sugerisse um tema p/ um grupo de interesse, pois como temos analisado até aqui os prós e contras de uma aula virtual e comparando-a c/ o ensino tradicionalmente presencial, cheguei à conclusão de que a linguagem utilizada na rede cria uma forma de relações interpessoais totalmente inédito, mas condizente c/ a época em que vivemos. O uso dos emoticons, por ex. indica uma necessidade clara de termos que "olhar"a expressão do interlocutor ( por fisionomia ou voz)."(sic)

Outro depoímento aponta aspectos positivos do curso IAO para a formação de comunidade de aprendizagem e dificuldades quanto ao tempo disponível:

"O ambiente aulanet tem servido muito bem para o propósito deste curso, ou seja, fomentar uma aprendizagem on-line sobre a formação de uma comunidade virtual de aprendizado via web. O grande repositório de textos literários, a capacidade de interação via e-mail e chat, a formação de grupos temáticos, tudo isto contribui para esta formação. O meu grande problema de acompanhamento se verificou quanto a grande quantidade de e-mails postados, e o grande volume de trabalho que aumentou de forma exponencial. Devido ao meu encargo de [...], tenho tido muita dificuldade em me programar.Vou ficar por aqui, pois vou tentar participar do chat de EAD."(sic)

A partir do módulo 2 foram realizadas quatro sessões de Chat no IAO. A primeira foi um piloto para avaliar o protótipo desenvolvido e as seguintes partes integrantes da programação do curso. A ferramenta Chat foi preparada para gravar o conteúdo dos diálogos de forma a permitir aos que não puderam participar ter acesso às informações geradas. O conteúdo das sessões de Chat foi disponibilizado na ferramenta Download. Esta rotina mostrou-se importante para complementar o processo de interação e socialização do conhecimento produzido.

Aula virtual ( Chat) do IAO

 

Transcrição de Conversação em Chat

No Chat de 20/06/00 ocorreu um problema devido a falhas no servidor de banco de dados utilizado e a sessão foi finalizada antes do tempo previsto. Observa-se nos depoímentos de aprendizes como isto foi compreendido e avaliação quanto às providências tomadas para sanar o problema:

1."Considero importante colocar que os problemas ocorridos no chat de modo nenhum causaram transtornos graves ao andamento do Curso. Sua presteza em apresentar uma explicacao somente demonstra a seriedade da equipe do Curso. De minha parte..... nao se preocupe, ok?" (sic)

2."O segredo de driblar as incertezas, está na boa atuacao do moderador, no nosso caso, moderadora, que nao desanima nunca e mantem o espirito do grupo sempre elevado. Parabens e e so marca que estaremos la."(sic)

3."Muito obrigada pelo Flash do último chat."(sic)

4."Infelizmente estarei em sala de aula no horário do chat, mas gostaria muito de poder participar. Em todo o caso, estarei lendo suas sugestões e opinando o mais rápido possível. Um abraço."(sic)

A análise dos diálogos ocorridos nos Chats demonstra que esta forma de comunicação síncrona é importante para as atividades de cooperação, complementando o Grupo de Discussão e o Grupo de Interesse. Nas sessões ocorridas surgiram propostas para projetos, foram realizadas críticas e apresentadas sugestões.

De forma geral, os participantes consideram o Chat no formato adotado – comunicação textual - pouco produtivo quanto à velocidade e de uso incômodo quando o número de participantes ativos – aqueles que estão enviando mensagens para o Chat – aumenta. O sentido de desorientação foi acentuado pela forma de apresentação dos textos no browser – cronologicamente à medida que eram enviados pelos participantes – para aqueles que não possuíam intimidade na utilização deste tipo de ferramenta de comunicação. A iniciação neste tipo de comunicação se revelou muito importante para todos, professora e aprendizes.

Nota-se, também, na análise dos diálogos dos Chats realizados, a importância da participação da tutoria na organização e direcionamento dos trabalhos, evitando conversas paralelas e dispersão de interesses. Das 382 mensagens emitidas nos Chats, 129 – 33% delas – foi escrita pela professora responsável pelo curso.

Considerando-se as respostas apresentadas por onze aprendizes ao questionário de avaliação, nota-se quanto ao item "grau de facilidade de utilização" que os aprendizes encontraram alguma dificuldade na utilização do serviço de Chat. Mesmo tendo sido divulgado pelo Grupo de Discussão, pela Agenda e pelo espaço Notícias do Curso, alguns aprendizes não tinham informações sobre como acessar o Chat em sua primeira sessão, como revelam os conteúdos de e-mail para tutoria no momento de iniciar o Chat:

1."Estou online sem saber como entrar no chat. É possível contar-me como?"(sic)

2."Título: Chat: where are you Ola.. Perdoe-me a ignorancia da pergunta. Qual eh o espaco do ambiente destinado ao chat? Eh no Grupo de discussao?" (sic)

3."Ola !!!Acabei de me sentar ao computador para participar do CHAT. Por favor me envie os procedimentos.Desculpa-me solicitar isto de última hora. Qual o endereço do Chat? Obrigado."(sic)

Nas avaliações de atendimento do chat ao objetivo como serviço de apoio e como ferramenta pedagógica e quanto ao grau de facilidade de acesso, há uma classificação muito boa. Ao avaliarem seu próprio envolvimento no curso, os aprendizes , considerando a disposição para comunicar-se pelo chat, julgam-na "boa", o mesmo ocorrendo em relação à participação dos alunos durante o chat. Nesta avaliação do Chat, observa-se a maior variação dos resultados no que se refere ao grau de facilidade de acesso e ao grau de facilidade de utilização. Diferentes motivos constam de e-mails enviados à tutoria, como por exemplo, de configuração de equipamento pessoal e de administração de tempo:

1."Muito obrigada pela calorosa recepção no chat. Nem tive oportunidade de lhe agradecer nele e nem de teclar com o grupo. Não sei o que está havendo... (já me comuniquei por telefone com o ...) em minha tela não aparecem os botões e, ainda por cima, ela fica congelada.Assim, fico impedida não só de me comunicar com vocês mas de ler as mensagens trocadas...O... acaba de me ligar para dizer que devo estar com problemas em meu programa (Netscape)... Espero poder participar em outra oportunidade".(sic, com nome de colega omitido na transcrição)

2."Venho demonstrar minha tristeza em ter perdido o chat, não foi possivel me informar a tempo, mas estarei firme no proximo..."(sic)

Os módulos 3 e 4 aprofundaram a necessidade de cooperação entre os participantes com propostas direcionadas para a formação de grupos de interesses temáticos e apresentação de projetos de trabalho, conforme estava planejado nos Módulos III - Comunidade de Aprendizagem e Projeto de Trabalho- e Módulo IV - Projetos de Trabalho do curso IAO. Para viabilizar esta estratégia pedagógica foi utilizada a ferramenta Grupos de Interesses Temáticos do AulaNet. Ela funciona como um NewsGroup baseado em Web.

Grupos de Interesse do IAO

A participação foi por adesão aos assuntos livremente sugeridos nas sessões de Chat e em atividade programada para o Modulo III, que consistia na participação no grupo de interesse criado pela tutoria chamado "Grupo de abertura: propostas de temas". A estratégia mostrou-se eficiente pois os participantes que não tinham intimidade no uso desse recurso de comunicação ou não haviam participado das sessões de Chat se familiarizaram com os projetos propostos e puderam experimentar o funcionamento do Grupo de Interesse.Como resultado foram gerados 2 grupos: Design Instrucional de Curso a Distância (criado em 23/05/00 com 4 adesões); EAD de línguas e a linguagem usada na WEB (criado em 24/05/00 com 4 adesões). Após as adesões iniciais, os outros participantes do curso IAO passaram a interagir em um dos grupos formados.

A formação de Grupos de Interesses Temáticos (GI), conforme a avaliação de onze aprendizes, foi razoável/boa para o alcance dos objetivos. Destacam-se os aspectos do GI: "grau de facilidade de acesso e "grau de facilidade de utilização" e "atendimento do objetivo como ferramenta pedagógica"avaliados como "ótimos". Ao avaliarem seu próprio envolvimento no curso, os aprendizes, considerando a disposição para comunicar-se pelo GI, julgam-na "muito boa"e em relação à participação dos alunos, a classificação é de "boa". Uma possível razão para esta participação pode estar no tipo de ferramenta que funciona como um NewsGroup baseado em Web e que demanda conexão para envio e leitura de mensagens. No contexto do curso, como o tempo dos aprendizes era limitado, este fator é muito importante.

Mensagens no Grupo de Interesse do IAO

AVALIAÇÃO E PROMOÇÃO DE MODIFICAÇÕES PARA QUE O CURSO IAO SEJA DISPONIBILIZADO PARA GRUPOS MAIORES DE EDUCADORES E PROFISSIONAIS.

Encerradas as atividades do curso e analisadas as auto-avaliações, constatou-se que 16 dos 30 matriculados inicialmente cumpriram todas as tarefas e concluíram o curso IAO. Somente 4 dos matriculados realmente abandonaram o curso. Os 10 participantes que não cumpriram todas as atividades, envolveram-se, de forma diferenciada, em todas as atividades previstas, como se constatou pela análise dos logs e e-mails. Isto parece estar ligado aos diferentes motivos ou interesses que tinham para participar do experimento.

Um formulário de avaliação ( escala tipo Likert) foi enviado para todos os participantes e respondido por 11 aprendizes. Considerando as avaliações acerca de objetivos alcançados no Curso IAO, pode se concluir que os objetivos foram apreciados como atingidos (grau "ótimo"), excetuando-se apenas um dos objetivos listados - 3. Neste Curso, foi possível desenvolver habilidades de comunicação, de pesquisa e de colaboração em redes eletrônicas com vistas à promoção de ensino-aprendizagem a distância, on line- que foi avaliado como "muito bom".

Pode se concluir que os elementos do curso que foram submetidos à avaliação são julgados pelos aprendizes como contribuindo para o alcance dos objetivos. Destacam-se os elementos do curso avaliados como "ótimos": expectativas apresentadas na abertura e no início do curso; organização de conteúdos e atividades por módulos temáticos; apresentação dos conteúdos e atividades de cada módulo em seu início; exploração do ambiente do curso no AulaNet no Módulo I; conteúdos previstos para acesso, leitura, estudo autônomo e conversações; orientações quanto às atividades essenciais e às outras atividades para opção pelo aprendiz em cada módulo; bibliografia e links indicados; textos disponibilizados para acesso e leitura no site do curso; análise de dúvidas, idéias, sugestões pelo Grupo de Discussão; tutoria pelo correio eletrônico -teiaweb@uai.com.br; agenda; exploração da abordagem de Comunidade de Aprendizagem; conteúdos, atividades e tempo previstos no Módulo I; conteúdos, atividades e tempo previstos no Módulo II; negociação e desenvolvimento de planos individuais de aprendizagem; adequação de aprendizagem baseada na teoria com a baseada na prática da individualizada com a cooperativa e colaborativa; procedimentos de avaliação, retorno (feedback) às auto-avaliações dos aprendizes; utilização do software de autoria AulaNet.

Os seguintes elementos do curso foram avaliados como importantes para o alcance de objetivos, porém, com grau "muito bom: "conteúdos, atividades e tempo previstos no Módulo III- Parte1"; "conteúdos, atividades e tempo previstos no Módulo III- Parte 2" e "conteúdos, atividades e tempo previstos no Módulo IV (cont. do III-2)".

Os elementos do curso com menor grau atribuido ("bom") são: "formação de Grupos de Interesses Temáticos" e o de "iniciação na estratégia de Projeto de Trabalho On Line". A razão deste julgamento parece estar relacionado com o tempo (avaliado como pouco) destinado às atividades mencionadas, segundo opiniões dos aprendizes que sugeriram maior duração para o curso. Exemplo disto é o depoímento de aprendiz:

"Um posicionamento a respeito do curso: nao sei se isso eh fruto de falha minha na organizacao do meu tempo ou resultado de acumulo de atividades nesse semestre, mas gostaria de sugerir que um curso como esse fosse dado em um periodo de tempo mais longo. Nao creio que haverah tempo suficiente para uma maior integracao do grupo, principalmente dos grupos de interesse. Que tal programar um proximo curso que se estenda por um semestre letivo? Isso eh viavel?"(sic)

Portanto, a dimensão da colaboração precisa se repensada considerando a duração do curso que deve ser ampliada, particularmente, nos Módulos III e IV e a criação de ferramentas que viabilizem a colaboração com compartilhamento de arquivos entre os aprendizes.

Na auto-avaliação dos aprendizes quanto ao grau de envolvimento em cada elemento do Curso IAO destacam-se a identificação de suas necessidades de aprendizagem, o acompanhamento dos conteúdos disponibilizados on line e a disposição para comunicar-se pelo Grupo de Discussão, todos com grau "ótimo". Seguem-se a participação dos alunos no Grupo de Discussão, a disposição para comunicar-se e colaborar pelo Grupo de Interesse e a contribuição para a aprendizagem do grupo, nos espaços de comunicação, todos estes aspectos avaliados como "muito bons". Os aspectos avaliados com valores menores são: a disposição para comunicar-se pelo Chat, a participação dos alunos durante o Chat e a participação dos alunos nos Grupos de Interesse , todos com grau "bom".

Depoimento de aprendiz exemplifica como ocorreu esforço de metacognição , ou seja, de identificação e análise de seus próprios processos de conhecer, de aprender, de suas interações no ambiente de aprendizagem e as participações nas sessões de Chat, no Grupo de Discussão e no Grupo de Interesse:

"O grande desafio eh a formacao de uma 'comunidade de aprendizagem' em que cooperacao, autonomia e a centralidade do individuo no processo de aprendizagem sao fundamentais para o progresso do aprendiz e do grupo. Explico: isso implica em mudancas de habitos de ensino/aprendizagem muito arraigados. Viemos de um ambiente educacional que favorece a competicao, a individualizacao do processo de aprendizagem e a crenca de que o professor eh um fornecedor direto de conhecimentos. Como aluna desse curso, tenho observado a minha dificuldade em partilhar duvidas e questionamentos com o grupo. De certa forma me sinto na 'obrigacao' de tentar resolve-los de forma independente, num exercicio equivocado de autonomia, pois o grande barato aqui deveria ser aprender de forma personalizada, mas coletiva e colaborativamente. Mais uma vez repito a importancia de estar participando desse curso como aluna e refletindo sobre as minhas dificuldades de adaptacao a esse novo meio e a novos papeis. Devo confessar que, a principio, o que me preocupava era o uso dos recursos tecnologicos: serah que darei conta? Agora jah cheguei a conclusao de que, apesar de ainda estar engatinhando nessa area, o mais importante eh adquirir uma postura de aluna autonoma e que trabalhe colaborativamente. Em teoria isso me parecia tao logico e ateh simples. Na pratica, nem tanto." (sic)

As dificuldades e a vontade de continuar o curso por reconhecer a sua contribuição são destacados em um depoímento de aprendiz similar a alguns outros:

" Embora meu horário de trabalho normal seja o vespertino/noturno, com a greve e suas atividades tive que alterá-lo. Acresce-se a isto, o fato de que estou provisoriamente lotado em um núcleo, que dispõe de poucos computadores e de muita gente para utilizá-los. Também não estava preparado para receber tamanha quantidade de mensagens eletrônicas e pelo fato de não ter um único computador para recebê-las, tive que passar o Eudora para um cd r/w, porém nem todas as máquinas tinham gravadores de cds, o que me perturbou bastante e contribuiu para que não acompanhasse o curso como deveria. Apesar de todos estes problemas, o curso tem enriquecido e muito meus conhecimentos a respeito dos meios interativos. Um serviço que eu nunca tinha utilizado, por completo desconhecimento de seu funcionamento , era o grupo de interesse, News, que pretendo, a partir de agora utilizar com freqüência, para dominar melhor seu uso. Em relação a esta semana de curso, no único dia que consegui fazer o curso (3a feira, à tarde) acessei o sistema por poucos minutos. Precisei sair e quando voltei não consegui acessar mais o aulanet.fepesmig.br, que parecia estar fora do ar e apresentava a antiga tela escura. Ao longo do curso, fiz alteração em meu e-mail, passei dias sem conseguir verificar as mensagens e hoje que consegui, observei que todas as mensagens foram enviadas para meu antigo e-mail."(sic)

Neste caso, ficou esclarecido, que o aprendiz alterou o e-mail apenas na página de suas informações e não solicitou alteração no sistema do GD. Ou seja, é preciso que cada aprendiz conheça as formas de lidar com o sistema de curso on-line. Outros depoímentos indicam a importância de considerarmos as condições de acesso de cada aprendiz:

1."Bem, finalmente consegui entrar. Parece que o problema era mesmo o congestionamento. Espero não ter mais problemas. Realmente está difícil entrar, é preciso tentar muitas vezes, ter muita paciência. Vou treinar a minha. Em todo o caso, o máximo que pode acontecer é me chamarem de atrasadinha, não é? Obrigada. Um abraço."(sic)

2."No meu caso, que geralmente enfrento problemas de congestionamento, acessar as carinhas, por exemplo, levou um tempão. Assim, talvez um pouco mais de tolerância com relação ao prazo poderia muito bom, por outro lado, estender as atividades também poderia levar o curso a uma extensão do tempo previsto, o que não seria bom para nenhum de nós."(sic)

E, finalmente, há a questão do tempo disponível para estudo, como mostra o depoímento: "O meu grande problema de acompanhamento se verificou quanto a grande quantidade de e-mails postados, e o grande volume de trabalho que aumentou de forma exponencial."(sic)

A partir dos resultados da avaliação e deste estudo, são analisadas as implicações práticas, de ação reflexiva aplicando e atualizando o domínio técnico e o filosófico-pedagógico na promoção de EaD, na modalidade de aprendizagem colaborativa on-line. Outros aspectos de cursos on-line estão sendo analisados considerando a estratégia de formação de comunidade de aprendizagem colaborativa.

Depoímentos de aprendizes mostram como foi válido o curso IAO e apontam caminhos...

1."Foi interessante notar a importancia fundamental da teoria social de construcao do conhecimento defendida por Vygotsky 'onde a aprendizagem eh fundamentalmente uma experiencia social, de interacaso pela linguagem e pela acao'. Eu ja havia estudado um pouco de Vygotsky em um curso que fiz ha alguns anos onde analisavamos a interacao em sala de aula tradicional. Nesse nosso novo ambiente de ensino/aprendizagem, no entanto, essa teoria me parece ainda mais importante e, ao mesmo, tempo, talvez mais dificil de se colocar em pratica. O grande desafio eh a formacao de uma 'comunidade de aprendizagem' em que cooperacao, autonomia e a centralidade do individuo no processo de aprendizagem sao fundamentais para o progresso do aprendiz e do grupo. Explico: isso implica em mudancas de habitos de ensino/aprendizagem muito arraigados. Viemos de um ambiente educacional que favorece a competicao, a individualizacao do processo de aprendizagem e a crenca de que o professor eh um fornecedor direto de conhecimentos."(sic)

2."O curso foi de grande proveito.A experiência foi singular e deixou muitas sementes que com certeza germinarão.Parabéns a você e à sua equipe."(sic)

3."O curso foi um sucesso graças a sua coordenação, mediação e participação, o que prova que mesmo na educaçào virtual o papel do tutor é indispensável. Sou muito grato por ter participado desta iniciativa."(sic)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho, analisamos conteúdos, padrões e fatores da comunicação, da interação e do discurso e prática de aprendizagem on-line, cooperativa/colaborativa em comunidade de aprendizagem e de prática bem como esclarecemos como planejar, desenvolver e avaliar ambiente virtual de aprendizagem para apoiar esta aprendizagem de tal maneira a produzir significados, compreensão e ação crítica, e em que se possa exercer a aprendizagem de cooperação e de autonomia, assegurando-se a centralidade do indivíduo na construção do conhecimento e possibilitando resultados de ordem cognitiva, afetiva e de ação. Analisamos a consistência de interface de protótipo do ambiente, adequação de linguagem, flexibilidade, interatividade com usuários, funcionamento do curso e a aplicação do referencial teórico.

Desta forma, este trabalho se insere na busca de um novo ciclo de assimilação de tecnologia em EaD que pode ser descrito como de dois passos adiante para a tecnologia e pedagogia e um passo atrás para reflexão crítica e planejamento dos passos subsequentes. Continuamos a pesquisa, buscando esclarecer condições em que processos de comunicação mediados por computador (CMC) contribuem para construção de comunidade de aprendizagem e de prática no contexto de formação-ação de docentes. Por um lado, a pesquisa explora conteúdo, padrões e fatores da comunicação, da interação e do discurso de aprendizagem on-line com abordagem etnometodológica, análise textual e do discurso. Por outro lado, como parte do Projeto "Capacitação de docentes de ensino superior quanto à relação entre ensino, pesquisa e avaliação via aplicações de Internet", que integra o Consórcio-BH2, apoiado pelo Protem-CNPq-RNP, em sua atividade de ensino a distância, a pesquisa também visa avaliar a influência de fatores de design e de condições de rede eletrônica de alto desempenho em aplicações da Internet no ensino a distância, em que seja exercida a aprendizagem da cooperação e da autonomia e em que se reconheça a centralidade do indíviduo na construção do conhecimento. (PROJETO BH2-EAD-CAP,1999)

Em nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento de ambientes interativos de aprendizagem, reencontra-se e resgata-se o educador na EaD analisando suas ações pedagógicas, sociais, tecnológicas e gerenciais, que podem ser identificadas e que se concretizam na reflexão e na prática do planejamento, do desenvolvimento e da avaliação dos cursos, na orientação de aprendizagem, na facilitação e moderação da conversação on-line e na atuação como sujeito que promove a formação de comunidades de aprendizagem e a integração de recursos para a aprendizagem cooperativa/colaborativa on-line. Há muitas formas de oferecer cursos a distância on-line mas, certamente, as melhores formas de fazê-lo exigem autênticos educadores on-line!

Fica o convite de um dos aprendizes do IAO:

"Agradeço pela oportunidade de ter participado desta experiência pioneira.Foi bastante proveitoso o curso para mim. Desejo a vocês sucesso e determinação para continuarem em direção ao horizonte pois, usando uma das metáforas do curso, "a utopia serve para fazer caminhar".Um abraço carinhoso para todos vocês.Tchau ! Tchau !"( sic)

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NOTA: Este trabalho é parte do Programa Integrado de Pesquisa "Introdução de novas tecnologias de comunicação e informação na educação presencial e a distância", do Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologias Interativas de Aprendizagem- TEIA-GEPE, da FaE-UEMG, criado em 16 de março de 1998, com o apoio do CNPq, entidade do Governo Brasileiro voltada ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Podem ser consultados o Relatório e as tabelas e quadros de dados do Curso IAO. Contato : FaE-UEMG, Campus de BH- Rua Pernambuco,47 Funcionários-Belo Horizonte -MG 30 130-150. Fone 31-3274 41 23, Fax 31- 32744457 -E-mail: teiagepe@uemg.br

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Atualização em 29 de abril de 2001 (Sexta Versão).
Publicação em versão inicial em 28 de Setembro de 1997.
Webmaster: Maria Inês de Matos Coelho (Pesquisadora CNPq na UEMG, Professora da UFMG, Consultora.)Apoio do CNPq e da FAPEMIG

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